Coordenação: Jorge Shark

Prova-me

Naquela noite decidimos ficar por ali. Não queríamos que mais ninguém soubesse do nosso segredo. Desejávamos aproveitar aquela última noite juntos. Não sabíamos o futuro e o desejo crescera, durante a semana, de dia para dia. Só tínhamos o teu saco cama. Agarrados e dentro dele, observávamo-nos.
[22-03-2010] | Beijo da Lua | 0 comentários

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Difuso

Vens... Saíste de ti para nova exploração de ti mesmo.
Vens... Saíste de ti e fazes-me doer.
Vem... Faz-me doer. Prostituíste-me a alma neste empréstimo para te encontrares. Vem...Torce-me e rasga-me nessa penetração disfarçada de amor.
Vens... E rasgas-me o ser a penetrares-me o corpo para penetrares a tua alma. Sou... Prostituta de ti. Vendi-me às tuas palavras quentes - aço aquecido em chama da tua busca de ti mesmo, aço que arrefeceu e cortou-me, frio.
Vem... Que sem gestos as lindas palavras ficam vazias - sugam-me a vida para se encherem. Vens e eu morri. Pontapeaste-me até ao chão, murros disfarçados de emoção, uma mera busca que pensei ser de mim. Tombaste-me e era a ti mesmo que procuravas em mim.
Vens... E enterras-te em mim, a enterrares-me a vida e a sede de viver. Com as mãos torces e puxas-me os cabelos até ao coração.
Vem... Faz-me chorar agora porque te contive para tua mera introspecção.
Vens... Porque queres saber como é o teu cheiro misturado no meu. Misturaste-nos e eu parti-me em milhões de pedaços e não me encontro mais. Sou pó de mim.
Tenho que ir - agora que não vens - distribuir por aí os grãos de mim a que não dás vida...




Autora: Joana Well
[22-03-2010] | Jorge Shark | 0 comentários

Partilhamos?

Gosto de te ver a masturbar. Dá-me gozo......


Mas dá-me ainda mais gozo masturbar-me para ti. Tu vês, mas não tocas. Tu queres, mas não tens. Terás... Mas ainda não. Agora quero apenas que me vejas, que sintas como te quero.

Quero que me ouças gemer. Que me vejas cravar a mão na colcha da cama. Quero que me vejas estremecer.

Quero ouvir as palavras que saem da tua boca. Quero que me digas o que fazer e como fazer. Quero fazer o que tu queres que eu faça.

Quero olhar para ti enquanto o faço.

Nesses momentos esqueço as vergonhas, os tabus. És tu e eu.

E os nossos corpos.




Autora: Vontade de
[21-03-2010] | Jorge Shark | 0 comentários

Da(s) forma(s) geométrica(s): um esboço

Há um Carlos, um Vítor e uma Ana. Um triângulo amoroso clássico. O Carlos não sabe do Vítor e este não sabe que aquele existe. A Ana sabe dos dois mas não sabe de si. Há sms e mails. Há almoços e jantares. Há telefonemas furtivos e os normais encontros e desencontros que se associam a uma situação destas. Há música, muita música. E uma mulher que se multiplicava mas que agora se divide. Cada vez mais. E é cada vez menos. Que ri e chora. Um Carlos que não quer mais do que tem e um Vítor que não percebe o que tem. Há dias em que acorda com um e se deita com outro e semanas a dormir sozinha mesmo quando se encontra alguém ao seu lado na cama. “Nini” ouve-se trautear por vezes como se fosse uma personagem duma canção. Homens que sorriem com a sorte que têm, com a liberdade que julgam conquistar dia a dia e uma mulher que não se quer decidir. Há uma mulher com três escovas de dentes e que ocupa de forma diferente três espaços igualmente sufocantes, igualmente inexistentes. E, claro, onde há um triângulo há uma amiga, que tudo sabe e tudo esconde. Que censura sem censurar. Que deseja. Que ouve. Ouve sem sorrir. Que seca e mirra pelo irmão que, nem por acaso, gosta de Ana e não se quer intrometer entre aquela e Carlos, aquela e Vítor. Há um tempo e há um fim. E um homem que acorda sem uma escova de dentes no copo e outro que liga e pede e quer explicações e justificações e uma mulher que não as quer dar, que não as tem de dar.

Acabou!

Com ponto de exclamação.

Acabou.

Com ponto final.

E há uma mulher que renasce.

E uma mulher que, sem sorrir, acaba a consolar à vez (...) 
[21-03-2010] | Jorge Shark | 0 comentários

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Caminhos

Atraso os passos porque já sei o que vou encontrar. Não me lembro uma única vez durante o dia mas as imagens surgem-me como flashes quando se aproxima o momento em que lá tenho que passar. Já fiz inúmeras tentativas de desviar caminho, mas tornar-se-ia demasiado extenso e fico depois com um gosto amargo na boca, pois fico a pensar se estaria com alguém ou não. A janela está sempre aberta. Sei que faz de propósito. O rés-do-chão convida os olhares distraídos mas os ouvidos atentos a desviar a atenção para aquela divisão da casa, a única que dá para a rua empedrada. Tem sempre companhia. Deduzo que nem sempre seja a mesma, pois os gemidos por vezes são guinchos ou até gritos, enquanto a sua voz quase muda se afunda nos tecidos. Todos sabem que faz aquilo por prazer mas ninguém sabe se lhe pagam ou não. Mulher farta, de vida desafogada, nunca ninguém lhe conheceu profissão ou afazer. Cruza a praça principal da cidade e todos param para a ver passar. As coxas fartas e o cabelo negro seduzem todos os que por ali param. Muitos há que ali vão com a desculpa do café ou jornal, para apenas a ver passar. Tem sempre um meio sorriso no rosto. Astuta coloca um perfume suave na pele deixando um rasto que eleva os pescoços que por ela se cruzam. A casa cheira sempre a incenso. Por vezes até agonia a intensidade daqueles aromas. Não consigo não passar pela sua porta. Podia até fazê-lo mas não consigo. Não olho, mas ouço os gemidos. Às vezes ouço gargalhadas e risadas, ou o trautear de uma melodia. Um dia olhei. Não resisti e olhei. Fiquei parada. As suas coxas fartas ladeavam-lhe o corpo. Ele, completamente extasiado, perpetrava movimentos cordatos mas profundos que impunham um ritmo ofegante ao corpo daquel(...) 
[12-02-2010] | Vitor Coelho | 0 comentários

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Tempestade

O intemporal temporal
marcado nas coxas
agarradas ao trovão,
a dar entrada completa
ao Mestre da tempestade
interna da fusão
para beber a chuva animal
sobrepostas as duas rochas
fazem fusão perfeita:
um só corpo quando tudo arde.

Miss Shag Well
[12-02-2010] | Vitor Coelho | 0 comentários

O uso das palavras obscenas

Que se lixe – disse ela enquanto empurrava a porta da sala do engenheiro com a anca, numa mão um grupo de papeis meio desordenados, na outra uma chávena de café ainda fumegante. – Que se lixe! – repetiu, desta vez mostrando o rosto irado ao senhor engenheiro.

Era assim que ele gostava. Vê-la irritada excitava-o. Dava-lhe verdadeiro tesão. Não se atreveu sequer a perguntar-lhe o que lhe estava a acontecer, não queria de maneira nenhuma acalmá-la. Fingiu que não ouviu, baixou a cabeça para o dossier que entretanto tinha aberto sobre a mesa e apontou-lhe o local onde deveria pousar a chávena.

Impávida mas não serena, colocou o café não sem ter estremecido a mão a pontos de ter feito cair a colher no meio do chão e verter meia chávena no pires e na tábua. Depois, aproximou-se dele, como fazia em outras ocasiões mais calmas e dengosas e sentou-se-lhe no colo. Só que, hoje, não precisou de ter trabalho. Metade estava feito, apenas um delicioso deslizamento, um encontro de sensações uma cálida e ardente penetração. Quando acabaram de se beijar, ela levantou-se e olhou de lado. Ele ainda tentou indagá-la mas ela limitou-se a encolher os ombros. – Que se lixe!

Vítor Fernandes
[12-02-2010] | Vitor Coelho | 0 comentários

Este é espaço reservado só para adultos bla bla bla hklj lh hglh gj jfg jf gfjgf jgfjgf fg. jfhk gfg f fhchc hcfhch g kggcg gkgf jggfjgfgj gg vgvgvgfk ggkkgfgjfgjf jgfgj fgj fgjfgjkfjkgfgf gfjkgfgjkfkgfkjg fjgf jgfjgfgjf gjfgjfgjfjgfgjf.

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